23 April 2010

Brilhantes.

Continua a afastar-me deste mundo e a tirar-me a vontade de permanecer aqui. Os brilhantes continuam a cair, e eu olho para eles, e já não sinto vontade de sorrir. Continuo a olhar para cima e a esperança não é muita. Tu pareces não me compreender, e eu não tenho como te ajudar a entender-me porque não mo permites. Percebes o que quero dizer? Os brilhantes continuam a cair, e eu não os apanho. Talvez a culpa seja minha, mas talvez precise de espaço para falar e me fazer entender. É um ciclo vicioso, e nada pára, apenas eu. Fico aqui, a olhar pela minha janela, e a ver os brilhantes a cair, a noite escura a cumprimentar-me. É estranho como me sinto bem a esta hora, sinto-me tão confortável, porque por momentos os brilhantes caiem nas minhas mãos e mostram-me como eu sou importante para alguém, mas depois amanhece e os brilhantes não me pertencem. E toda esta rotina me pertence, e faz parte do meu dia-a-dia. Eu tenho medo dos meus passos, e medo de pisar o sucesso, medo de esmagar a sabedoria, mas eu tenho de caminhar, sem caminhar não evoluo. E tu continuas aí, e dizes que olhas por mim, mas eu vejo tudo a passar-me ao lado, e não ajudas a fazer-me brilhar. Ao amanhecer, arrancas-me os brilhantes da mão e proíbes-me expressamente de os ter comigo. Mas à noite é tudo tão meu, e tão perfeito que vale a pena continuar, e passar o dia todo, à espera daquele momento de paz, em que vou poder ir à minha janela e sentar-me a ver as estrelas, e os brilhantes a caírem. Os pirilampos! Não me posso esquecer dos pirilampos, como me alegram, e me mostram que qualquer ser vivo pode brilhar, até eles brilham mais que eu. Mas depois acordo e afinal até sou só mais uma nódoa nesta sociedade peganhenta em que me encontro, e se calhar até tens razão e sou só mesmo isso, mais um falhanço, um plano sem futuro. Apesar de tudo, continuo à espera do dia em que eu irei fazer algo correcto, aos teus olhos, e estarás lá aplaudir-me. Sonho com o dia em que isso aconteça, e nesse dia eu própria baterei palmas a mim mesma, por finalmente estar a brilhar aos teus olhos. E acredita, eu quero tanto aqueles brilhantes, não só por momentos, mas sempre.

1 comment:

Nuno said...

Talvez devesses olhar menos para os brilhantes e mais para o mundo, que é onde está a real beleza.
A realidade pode ser bem mais interessante que a fantasia. Não podes perseguir os teus sonhos a voar numa nuvem, tens de os perseguir de pés bem assentes na terra, e o futuro não é apenas uma expressão, é algo que estamos a criar agora e que vai esperar por nós até ser presente.
A compreensão disto é muito mais importante que a aprovação de alguém, que até sabes que está sempre a teu lado e que te dará essa mesma aprovação no mesmo momento em que conseguir ver que compreendeste.
Não podemos estar sempre a olhar para os brilhantes...
Um beijinho
NTV